“Uma boa pré-temporada representa, pelo menos, 60% do sucesso de um time”. A afirmação do fisiologista Fabiano Barros, professor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), é um alerta para os times da região. Há nove anos no futebol profissional, ele diz já ter presenciado várias situações de erros no período de preparação das equipes para os campeonatos.
Agora, com a chegada do mês de dezembro e com os clubes em início de trabalho, afirma que começa a escutar opiniões equivocadas sobre a pré-temporada. Pensamentos que, segundo ele, podem atrapalhar as equipes na competição.
O fisiologista Fabiano Barros trabalha no São José e no Atlético Joseense. Profissional também já passou pelo Taubaté (Foto: Danilo Sardinha/Globoesporte.com)
- As pessoas dizem que não é certo o atleta estar 100% no início do campeonato. Mas isso é uma mentira. O jogador precisa estar 130% no início do torneio. Na Série A2 (do Paulista), por exemplo, você treina só na pré-temporada. Depois que começa, é difícil dar estímulo físico por causa da maratona de jogos. Se o atleta começa com 70%, ele não conseguirá ganhar isso depois - garante o fisiologista.
Barros afirma que para chegar ao nível ideal de condição física, é necessário, no mínimo, dois meses de pré-temporada. Desse período, três semanas devem ser dedicadas exclusivamente para os treinos físicos.
- É complicado quando o treinador quer antecipar o trabalho com bola e não respeita o planejamento. O ano de 2011, no São José, foi o único em que tudo foi seguido à risca. Resultado: a primeira lesão foi acontecer a três rodadas do fim da primeira fase, quando já estávamos classificados para o quadrangular final - contou.
Fabiano Barros faz testes físicos com o goleiro Dida, do São José (Foto: Danilo Sardinha/Globoesporte.com)
Reforços ‘bomba’
Um dos trabalhos da fisiologia é mapear a condição física de cada atleta assim que eles chegam ao clube. Feito os inúmeros testes e exames, os resultados são passados para a preparação física, que dará início ao treinamento.
Nesse período, Fabiano Barros diz encontrar problemas com muitos reforços.
- O atleta ideal não é aquele que vem jogando há dois, três anos. Esse é o ‘atleta-bomba’, como nós chamamos. Ele vai estourar aqui. O atleta ideal é aquele que teve o seu descanso, teve as suas férias. Pode ter jogado a temporada passada, mas tem que ter tido pelo menos 20 dias de descanso - alerta.
Joseense foi o primeiro time neste ano a começar
os treinos físicos para a Série A3 de 2013
(Foto: Danilo Sardinha/Globoesporte.com)
Para Barros, o elenco tem que estar montado antes de começar a pré-temporada. E as contratações precisam ser avaliadas rigorosamente.
- É ruim essa situação de chegar mais dez jogadores a uma semana da estreia da Série A2. Tem muita contratação errada. Não estou falando na questão técnica, mas na questão física. Acham que o sujeito vai resolver sem ter ao menos uma conversa sobre como o jogador está e há quanto tempo ele está jogando.
- Tudo é questão de mensurar os riscos. Dar condição física para um atleta é fácil. Agora, dar condição física e prevenir lesões, é mais complicado. Quem trabalha com futebol, tem que ter isso bem claro. Você tem preparar o atleta para render e para evitar lesões - completa o fisiologista.