LANCEPRESS! - 08/11/2012 - 08:00 São Paulo (SP)
Um obstáculo para a evolução do futebol brasileiro é a inexistência de um calendário que aproveite o potencial dos clubes na sua totalidade. A célula principal desse esporte no país, os clubes vêm sendo maltratados há décadas por calendários malfeitos, que os obrigam a disputar jogos sem sentido e a perder seus melhores jogadores nas fases decisivas dos campeonatos mais importantes. Exemplos recentes disso são os amistosos da Seleção, que desfalcam os principais times do país na reta final do Brasileiro, além de o campeonato ter sido disputado paralelamente aos Jogos Olímpicos, como acontece quando ocorre a Copa América, desvalorizando a nossa competição mais importante.
Nos países da Europa, por exemplo, as ligas nacionais não têm jogos nas chamadas datas Fifa e as seleções tampouco atuam fora delas.
OPINE!
> Quem deve ser privilegiado no calendário do futebol brasileiro?
Agrava muito este quadro o fato de os clubes não terem janela de excursões coincidente com a dos maiores clubes do mundo, de modo a aumentar receitas e internacionalizar os times, chave para o sucesso na era do esporte globalizado.
Com a chegada de José Maria Marin esperava-se ao menos uma sinalização clara de que os clubes poderiam enfim entrar nesse círculo virtuoso que bate às suas portas. Mas a esperança dissipou-se na última terça-feira, com as infelizes declarações do presidente da CBF. Marin disse que o calendário atual é o melhor possível, diante das contingências.
O mandatário afirmou que o tamanho e as particularidades do Brasil impedem que se apliquem aqui modelos criados na Europa. Pior, disse que o Brasil, por ser pentacampeão mundial, deveria ser copiado e não copiar outros países.
Os argumentos são tão surrados como frágeis. O primeiro nada explica. Afinal, seja num país grande ou pequeno, o ano tem 52 semanas. Aplicando o segundo ao pé da letra, a conclusão aponta para a necessidade de reforma urgente, pois em outubro estávamos em 14º lugar no ranking da Fifa, a pior colocação nos 19 anos de existência da lista.
A miopia de Marin atrasa o Brasil num ponto crucial para a emancipação econômica do futebol brasileiro. É preciso pôr os clubes no topo das prioridades e construir um modelo.
Se a CBF adotasse o calendário usado na maior parte do mundo, os ganhos seriam evidentes. Os times teriam do começo ao fim do Brasileiro a mesma formação. Sem medo de ver seu Neymar ser trocado por um jogador genérico no meio da competição, os torcedores se animariam a comprar carnês para toda a temporada, oportunidade inigualável pois teremos 14 estádios novos ou renovados no país nos próximos dois anos.
O argumento de Marin de que precisa atender às federações mostra o quanto está equivocado. Os clubes devem ser prioridade. CBF e federações existem para servi-los.
Os clubes vivem numa posição subalterna diante de CBF e federações. Nem uma liga profissional criaram. Está na hora de mudar de atitude, pois Marin só mudará o calendário se for empurrado a fazê-lo.